Maegan Beck – A Small Chain of Commitments [2026]
on Freedom, Solidarity and Future-Making
18.4.26 – 1.5.26
This exhibition is the physical outcome of a four-week online residency program on Freedom, Solidarity and Future-Making, an artist residency hosted by tender prospects that ran from March 20 to April 17, 2026, bringing together eight artists and researchers across six time zones.
The online nature of on Freedom, Solidarity and Future-Making makes a particular case for how artists engage with their practice and one another. Working across time zones, geographies, and contexts, the residency did not form a shared physical space, but a distributed condition of working together while “emotionally holding hands”, as one resident coins. Participation shifts within this framework, shaped by time constraints, availability, and the limits of attention.
The creative potential of this hybridity echoes what Édouard Glissant describes in Poetics of Relation: a way of thinking connection without requiring uniformity or full transparency. Within the residency, relation is not built through proximity, but through exchange in partial presence.
The projects developed within this framework reflect a range of positions and methodologies. Jiaoyang Wang’s (1996, China) Receipt Dérive works through everyday transactions, using receipts as a medium to map economic behaviour, emotional traces, and wider political and labour systems, inviting viewers to navigate and contribute to this network of lived data.
Audrey Coble’s (1994, Ohio) Distances (mycoessay) develops in collaboration with non-human intelligences, using golden oyster mushrooms to rethink the production of images, identity and abstraction, and to establish forms of relation that extend beyond the human.
Bea Miranda de Oliveira (2004, Portugal) and Sana Hashemi’s (2006, Afghanistan) Fragments of Friendship takes the form of a literary correspondence between two women living in Lisbon and Kabul, building an archive of friendship that holds together different realities while searching for a shared language of womanhood.
Katerina Gnafaki’s (Greece) Unfortunately, it was paradise moves through the shifting landscape of Crete, weaving together sound recordings and intimate dialogue to trace the slow erasure of local customs and the transformation of her family’s environment under the pressures of tourism.
Maegan Beck’s (1997, Canada) A Small Chain of Commitments unfolds as an evolving archive, text, and score, drawing on Simone Weil’s notion of attention to question the tempo of collective practice and the politics of speed, care, and refusal.
Millad Khonsorkh’s (1992, UK) Azadi TV assembles a fictional satellite channel from fragments of Iranian childhood, where memory and imagination construct unstable narratives of freedom. Across these practices, artistic work appears less as a fixed position and more as something relational, unfolding through context and exchange.
Alongside these projects, Angelika Lee’s (2000, Russia) research a residency of one’s own turns toward the conditions of the residency itself — a research within a research into artistic practice. Here, the residency becomes the site of inquiry: a temporary structure that organises time, attention, and relation. In its online format, this structure is both dispersed and continuous. It creates a space where artistic work can be prioritised, but without the physical separation from everyday life.
The residency’s internal artistic relation has been informed by an approach developed at Malmö Art Academy, initiated by Mary Kelly, referred to as “The Method”. In this format, the artist presenting their work remains largely silent, while the group discusses the work collectively without offering value judgements or projecting intention. The focus shifts toward describing what the work is doing, rather than what it is supposed to mean. Conversation becomes a space of collective articulation, where meaning emerges through description, hesitation, misreading, and negotiation. Within an online setting, this also reveals how attention is distributed and sustained.
Care runs through the residency as a set of small, continuous actions: listening, giving feedback, sharing time, paying attention. Often informal and easily overlooked, these practices sustain both individual processes and the collective environment, particularly in a setting where presence cannot be taken for granted.
From within the residency, its core terms begin to shift. Freedom appears structured, produced through timeframes, expectations, and a temporary suspension of other demands. Solidarity takes shape through care, but remains uneven, dependent on attention, availability, and participation. Future-making does not emerge as a shared direction, but as a set of parallel trajectories, shaped by different methodologies, urgencies, and zones of focus.
Taken together, what can an online residency achieve in a time of digital fatigue? Conceived as a more accessible and democratic format, it enables connections across distance, bringing together practices that might not otherwise meet. What forms is not a unified voice, but a field of relations: where practices intersect, diverge, and remain only partially connected.
words by Angelika Lee
works by:
Maegan Beck
Audrey Coble
Katerina Gnafaki
Millad Khonsorkh
Bea Miranda de Oliveira & Sana Hashemi
Jiaoyang Wang
&
Angelika Lee
Maegan Beck
Audrey Coble
Katerina Gnafaki
Millad Khonsorkh
Bea Miranda de Oliveira & Sana Hashemi
Jiaoyang Wang
&
Angelika Lee
on Freedom, Solidarity and Future-Making
18.4.26 – 1.5.26
Esta exposição é o resultado físico de um programa de residência online de quatro semanas dedicado on Freedom, Solidarity and Future-Making, uma residência artística organizada pela tender prospects, que decorreu de 20 de março a 17 de abril de 2026, reunindo oito artistas e investigadores distribuídos por seis fusos horários.
A natureza online de on Freedom, Solidarity and Future-Making constitui um caso particular de como os artistas se relacionam com a sua prática e entre si. Trabalhando através de fusos horários, geografias e contextos distintos, a residência não formou um espaço físico partilhado, mas antes uma condição distribuída de trabalho conjunto, enquanto “dão as mãos emocionalmente”, como um dos residentes descreve. A participação desloca-se dentro deste enquadramento, sendo moldada por restrições de tempo, disponibilidade e pelos limites da atenção.
O potencial criativo desta hibrididade ecoa o que Édouard Glissant descreve em Poética da Relação: uma forma de pensar a ligação sem exigir uniformidade ou total transparência. No contexto da residência, a relação não se constrói pela proximidade, mas através de trocas em regime de presença parcial.
Os projetos desenvolvidos neste contexto refletem uma diversidade de posições e metodologias. Receipt Dérive, de Jiaoyang Wang (1996, China), trabalha a partir de transações quotidianas, utilizando recibos como meio para mapear comportamentos económicos, vestígios emocionais e sistemas políticos e laborais mais amplos, convidando os espectadores a navegar e a contribuir para esta rede de dados da experiência vivida.
Distances (mycoessay), de Audrey Coble (1994, Ohio), desenvolve-se em colaboração com inteligências não humanas, utilizando cogumelos golden oyster para repensar a produção de imagem, identidade e abstração, e para estabelecer formas de relação que se estendem para além do humano.
Fragments of Friendship, de Bea Miranda de Oliveira (2004, Portugal) e Sana Hashemi (2006, Afeganistão), assume a forma de uma correspondência literária entre duas mulheres a viver em Lisboa e Cabul, construindo um arquivo de amizade que mantém em conjunto diferentes realidades enquanto procura uma linguagem partilhada da condição feminina.
Unfortunately, it was paradise, de Katerina Gnafaki (Grécia), percorre a paisagem em transformação de Creta, entrelaçando gravações sonoras e diálogo íntimo para traçar o lento apagamento de costumes locais e a transformação do ambiente familiar sob a pressão do turismo.
A Small Chain of Commitments, de Maegan Beck (1997, Canadá), desdobra-se como um arquivo, texto e partitura em evolução, recorrendo à noção de atenção de Simone Weil para questionar o ritmo da prática coletiva e as políticas da velocidade, do cuidado e da recusa.
Azadi TV, de Millad Khonsorkh (1992, Reino Unido) constrói um canal de televisão por satélite ficcional a partir de fragmentos de uma infância iraniana, onde memória e imaginação constroem narrativas instáveis de liberdade. Ao longo destas práticas, o trabalho artístico surge menos como uma posição fixa e mais como algo relacional, que se desdobra através do contexto e da troca.
A par destes projetos, a investigação de Angelika Lee (2000, Rússia), a residency of one’s own, volta-se para as próprias condições da residência — uma investigação dentro de outra investigação sobre a prática artística. Aqui, a residência torna-se o lugar de inquérito: uma estrutura temporária que organiza o tempo, a atenção e a relação. No seu formato online, esta estrutura é simultaneamente dispersa e contínua, criando um espaço onde o trabalho artístico pode ser priorizado, mas sem a separação física da vida quotidiana.
A relação artística interna da residência foi informada por uma abordagem desenvolvida na Malmö Art Academy, iniciada por Mary Kelly, designada como “The Method”. Neste formato, o artista que apresenta o seu trabalho permanece em grande medida em silêncio, enquanto o grupo discute coletivamente a obra sem emitir juízos de valor nem projetar intenções. O foco desloca-se para descrever o que a obra faz, em vez do que supostamente significa. A conversa torna-se um espaço de articulação coletiva, onde o significado emerge através da descrição, da hesitação, do mal-entendido e da negociação. Num contexto online, isto revela também como a atenção é distribuída e sustentada.
O cuidado atravessa a residência como um conjunto de ações pequenas e contínuas: escutar, dar feedback, partilhar tempo, prestar atenção. Frequentemente informais e facilmente ignoradas, estas práticas sustentam tanto os processos individuais como o ambiente coletivo, particularmente num contexto em que a presença não pode ser tomada como garantida.
A partir do interior da residência, os seus termos centrais começam a deslocar-se. A liberdade surge como algo estruturado, produzida por calendários, expectativas e uma suspensão temporária de outras exigências. A solidariedade ganha forma através do cuidado, mas mantém-se desigual, dependente da atenção, da disponibilidade e da participação. A construção do futuro não emerge como uma direção comum, mas como um conjunto de trajetórias paralelas, moldadas por diferentes metodologias, urgências e zonas de foco.
No seu conjunto, o que pode uma residência online alcançar num tempo de fadiga digital? Concebida como um formato mais acessível e democrático, permite criar ligações à distância, reunindo práticas que de outro modo dificilmente se encontrariam. O que se forma não é uma voz unificada, mas um campo de relações: onde as práticas se cruzam, divergem e permanecem apenas parcialmente ligadas.
texto de Angelika Lee